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Cultura
Cultura
(do latim cultura, cultivar o solo, cuidar) é um termo
com várias acepções, em diferentes níveis
de profundidade e diferente especificidade. São práticas
e ações sociais que seguem um padrão
determinado no espaço. Se refere a crenças,
comportamentos, valores, instituições, regras
morais que permeiam e identifica uma sociedade. Explica e
dá sentido a cosmologia social, é a identidade
própria de um grupo humano em um território
e num determinado período.
Diversos
sentidos da palavra variam consoante a aplicação
em determinado ramo do conhecimento humano.
•
Agricultura - é [red] sinônimo de cultivo.
•
Ciências sociais - (latu sensu) é o aspecto da
vida social que se relaciona com a produção
do saber, arte, folclore, mitologia, costumes, etc., bem como
à sua perpetuação pela transmissão
de uma geração à outra.
•
Sociologia - o conceito de cultura tem um sentido diferente
do senso comum. Sintetizando simboliza tudo o que é
aprendido e partilhado pelos indivíduos de um determinado
grupo e que confere uma identidade dentro do seu grupo que
pertença. Na sociologia não existem culturas
superiores, nem culturas inferiores pois a cultura é
relativa, designando-se em sociologia por relativismo cultural,
isto é, a cultura do Brasil não é igual
à cultura portuguesa, por exemplo: diferem na maneira
de se vestirem, na maneira de agirem, têm crenças,
valores e normas diferentes... isto é, têm padrões
culturais distintos.
•
Filosofia - cultura é o conjunto de manifestações
humanas que contrastam com a natureza ou comportamento natural.
Por seu turno, em biologia uma cultura é normalmente
uma criação especial de organismos (em geral
microscópicos) para fins determinados (por exemplo:
estudo de modos de vida bacterianos, estudos microecológicos,
etc.). No dia-a-dia das sociedades civilizadas (especialmente
a sociedade ocidental) e no vulgo costuma ser associada à
aquisição de conhecimentos e práticas
de vida reconhecidas como melhores, superiores, ou seja, erudição;
este sentido normalmente se associa ao que é também
descrito como “alta cultura”, e é empregado
apenas no singular (não existem culturas, apenas uma
cultura ideal, à qual os homens indistintamente devem
se enquadrar).
Dentro
do contexto da filosofia, a cultura é um conjunto de
respostas para melhor satisfazer as necessidades e os desejos
humanos. Cultura é informação, isto é,
um conjunto de conhecimentos teóricos e práticos
que se aprende e transmite aos contemporâneos e aos
vindouros. A cultura é o resultado dos modos como os
diversos grupos humanos foram resolvendo os seus problemas
ao longo da história. Cultura é criação.
O homem não só recebe a cultura dos seus antepassados
como também cria elementos que a renovam. A cultura
é um fator de humanização. O homem só
se torna homem porque vive no seio de um grupo cultural. A
cultura é um sistema de símbolos compartilhados
com que se interpreta a realidade e que conferem sentido à
vida dos seres humanos.
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Antropologia - esta ciência entende a cultura como o
totalidade de padrões aprendidos e desenvolvidos pelo
ser humano. Segundo a definição pioneira de
Edward Burnett Tylor, sob a etnologia (ciência relativa
especificamente do estudo da cultura) a cultura seria “o
complexo que inclui conhecimento, crenças, arte, morais,
leis, costumes e outras aptidões e hábitos adquiridos
pelo homem como membro da sociedade”. Portanto corresponde,
neste último sentido, às formas de organização
de um povo, seus costumes e tradições transmitidas
de geração para geração que, a
partir de uma vivência e tradição comum,
se apresentam como a identidade desse povo.
O
uso de abstração é uma característica
do que é cultura: os elementos culturais só
existem na mente das pessoas, em seus símbolos tais
como padrões artísticos e mitos. Entretanto
fala-se também em cultura material (por analogia a
cultura simbólica) quando do estudo de produtos culturais
concretos (obras de arte, escritos, ferramentas, etc.). Essa
forma de cultura (material) é preservada no tempo com
mais facilidade, uma vez que a cultura simbólica é
extremamente frágil.
A
principal característica da cultura é o chamado
mecanismo adaptativo: a capacidade de responder ao meio de
acordo com mudança de hábitos, mais rápida
do que uma possível evolução biológica.
O homem não precisou, por exemplo, desenvolver longa
pelagem e grossas camadas de gordura sob a pele para viver
em ambientes mais frios – ele simplesmente adaptou-se
com o uso de roupas, do fogo e de habitações.
A evolução cultural é mais rápida
do que a biológica. No entanto, ao rejeitar a evolução
biológica, o homem torna-se dependente da cultura,
pois esta age em substituição a elementos que
constituiriam o ser humano; a falta de um destes elementos
(por exemplo, a supressão de um aspecto da cultura)
causaria o mesmo efeito de uma amputação ou
defeito físico, talvez ainda pior.
Além
disso a cultura é também um mecanismo cumulativo.
As modificações trazidas por uma geração
passam à geração seguinte, de modo que
a cultura transforma-se perdendo e incorporando aspectos mais
adequados à sobrevivência, reduzindo o esforço
das novas gerações.
Um
exemplo de vantagem obtida através da cultura é
o desenvolvimento do cultivo do solo, a agricultura. Com ela
o homem pôde ter maior controle sobre o fornecimento
de alimentos, minimizando os efeitos de escassez de caça
ou coleta. Também pôde abandonar o nomadismo;
daí a fixação em aldeamentos, cidades
e estados.
A
agricultura também permitiu o crescimento populacional
de maneira acentuada, que gerou novo problema: produzir alimento
para uma população maior.
Desenvolvimentos
técnicos – facilitados pelo maior número
de mentes pensantes – permitem que essa dificuldade
seja superada, mas por sua vez induzem a um novo aumento da
população; o aumento populacional é assim
causa e conseqüência do avanço cultural.
Evolução
Biológica Cultural
Como
mecanismo adaptativo e cumulativo, a cultura sofre mudanças.
Traços se perdem, outros se adicionam, em grandes velocidades
variadas nas diferentes sociedades.
Dois
mecanismos básicos permitem a mudança cultural:
a invenção ou introdução de novos
conceitos, e a difusão de conceitos a partir de outras
culturas. Há também a descoberta, que é
um tipo de mudança cultural originado pela revelação
de algo desconhecido pela própria sociedade e que ela
decide adotar.
A
mudança acarreta normalmente em resistência.
Visto que os aspectos da vida cultural estão ligados
entre si, a alteração mínima de somente
um deles pode ocasionar efeitos em todos os outros. Modificações
na maneira de produzir podem, por exemplo, interferir na escolha
de membros para o governo ou na aplicação de
leis. A resistência à mudança representa
uma vantagem, no sentido de que somente modificações
realmente proveitosas, e que sejam por isso inevitáveis,
serão adotadas evitando o esforço da sociedade
em adotar, e depois rejeitar um novo conceito.
O
'ambiente' exerce um papel fundamental sobre as mudanças
culturais, embora não único: os homens mudam
sua maneira de encarar o mundo tanto por contingências
ambientais quanto por transformações da consciência
social.
Percepção
e etnocentrismo
O
ser humano comum, imerso em sua própria cultura, tende
a encarar seus padrões culturais como os mais racionais
e mais ajustados a uma boa vida. Quando muito, percebe algo
que é inadequado e que “poderia ser de outra
forma.” O que permite uma percepção cultural
mais intensa é o contato com outras culturas.
Mas,
uma vez que se dá este contato, a tendência é
rejeitar a outra cultura como inferior, como inatural. É
o chamado etnocentrismo, uma barreira que, a despeito de prejudicar
o entendimento e relação com outras culturas,
serve justamente para preservar a identidade de uma cultura
frente à possível difusão de preceitos
de outras culturas.
Os
estudiosos da cultura utilizam o chamado relativismo cultural
contra o etnocentrismo: consideram cada aspecto cultural em
relação à cultura estudada, e não
em relação à sua própria cultura,
enquanto sujeitos formados dentro de outro sistema de valores.
Cultura
em animais
É
possível, na opinião de alguns cientistas, identificar
uma “espécie de cultura” em alguns animais
superiores, especialmente mamíferos (e dentro destes,
especialmente primatas). Toda esta “espécie de
cultura” é muito diferente da que se identifica
na espécie humana. Sendo ainda muito inferior à
humana, é unicamente física, não englobando
qualquer sinal comprovativo de aplicação racional,
mas do entendimento. Enquanto os animais inferiores utilizam-se
de adaptações físicas e biológicas
para resistir aos perigos do meio (por exemplo, reprodução
exagerada para manter a espécie - contorna as facilidades
na extinção de indivíduos), grupos como
os primatas utilizam-se do comportamento adaptável
para sobreviver. Os primatas possuem como características
fundamentadoras destas opiniões: o uso de instrumentos
toscos (para quebrar cascas de alimentos, para se defender),
a transmissão para os filhotes de conhecimento.
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